Hiper agia ai partenos Maria, akrantos Mitéra tou Khristos Theos - soson imas!
Batul Lala Marian Wallidat al illah - ʕawnu ni!

Nossos pais e avós foram protestantes, nossos tetravos papistas, as gerações do passado remoto no entanto foram Católicas, apostólicas e ortodoxas, e nós, consagrando todas as forças do intelecto ao estudo da coisas santas e divinas desde a mais tenra idade, reencontramos e resgatamos a fé verdadeira, pura, santa e imaculada dos apóstolos, mártires e padres aos quais foi confiada a palavra divina. E tendo resgatado as raízes históricas de nossa preciosa e vivificante fé não repousaremos por um instante até comunica-la aos que forem dignos, segundo o preceito do Senhor. Esta é a senda da luz e da justiça, lei do amor, da compaixão, da misericórdia e da paz entregue uma única vez aos santos e heróis dos tempos antigos.

João I

João I
O Verbo se fez carne




Hei amigo

Se vc é protestante ou carismático certamente não conhece o canto Ortodoxo entoado pelos Cristãos desde os tempos das catacumbas. Clique abaixo e ouça:

Mantido pelo profo Domingos Pardal Braz:

de pentecostal a ORTODOXO.

Jesus aos apóstolos:

"QUEM VOS OUVE É A MIM QUE OUVE E QUEM VOS REJEITA É A MIM QUE REJEITA."


A CRUZ É UM ESCÂNDALO PARA OS QUE SE PERDEM. MAS PARA OS SANTOS PODER E GLÓRIA DE DEUS.

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segunda-feira, 23 de maio de 2016

1a - De pentecostal a Ortodoxo: TESTEMUNHO PESSOAL > Minhas origens

Jesus Blessing





"Este livro não foi escrito contra os protestantes e sim contra o protestantismo." Hoeninghaus in 'Reforma contra a reforma'



Neste artigo o amigo leitor encontrará os seguintes assuntos:

  1. Minhas origens
  2. O problema da cultura - meu ponto de vista
  3. O propósito
  4. Legado paterno
  5. Um pai educador
  6. Minhas professoras
  7. Costados paternos
  8. Experiencialidade protestante
  9. Raízes papistas
  10. A trajetória religiosa de minha avó paterna
  11. A passagem da família ao protestantismo
  12. Uma família e diversas seitas


Eu mesmo


Minhas origens

Por parte de meu falecido pai, o cidadão lusitano Joaquim Grillo Braz, descendo tanto de mouriscos (muçulmanos convertidos ao papismo) quanto de marranos ou Cristãos novos de ascendência judaica.

Assim sendo ao menos dois quartos de meu sangue são de origem semita ou semítica, fato este que não exalto (como louco) nem deploro (como xenófobo) mas que a luz da filosofia cínica tenho em conta de absolutamente irrelevante. Minha questão com os árabes e judeus - tenho repetido diversas vezes - não é - nem poderia ser!!! - étnica ou racial mas religiosa ou cultural; ou seja, constituída em torno de crenças, princípios e valores, não de genes.

O problema da Cultura e meu ponto de vista

A mim, enquanto criatura racional e livre, me é defeso encarar ambos os sistemas religiosos - hebraico e muçulmano - como equivocados, o protestantismo como uma espécie de judaização, islamização ou descaracterização do Cristianismo (E, consequentemente, como um fator de apostasia), a transcendência absoluta como um veneno mortal e a cultura produzida por ela como valorativamente inferior a que nos foi transmitida pelos antigos gregos e romanos ou a que tem sido produzida pelo homem moderno na Europa Ocidental, especialmente na França, durante os últimos séculos. (Refiro-me ao matriz humanista de um Mably, Morelly, Lammenais, Bloy, Mounnier, Barres, Brunettiére, Bernanos, Mauriac, Maritain, etc)

A própria evolução da cultura supõem uma notação e leva-nos a conclusão de que, no plano das crenças religiosas inclusive, existe uma sucessão temporal de formas mais complexas e elaboradas. O que nos autoriza do mesmo modo falar em formas arcaicas, ultrapassadas, primitivas e grosseiras; assim as religiões cuja 'praxis' esta completamente desvinculada da Ética ou que não estão postas para a promoção da vida, do homem, da dignidade e da justiça... como aquelas que, voltadas para o absoluto transcendente, esgotam-se no sagrado ou no invisível sem jamais tocar os problemas que afligem a pobre humanidade.

O propósito

Tudo quanto pretendo por meio desta breve narrativa é informar ao leitor curioso e benevolente a respeito de como tendo nascido protestante - conservador, fundamentalista, fetichista e sectário (a semelhança de um Felicianus ou de um Malafeia); cheguei a adquirir outro tipo - alias bem distinto - de compreensão de mundo, alias uma compreensão ou sentido totalmente oposto ao anterior e portanto produto de uma drástica ruptura face as tradições ancestrais ou com aquilo me fora dado pela natureza ou cultura.

Trata-se pois de minha história e trajetória, a um tempo intelectual a outro religiosa e ética ou melhor de minha evolução espiritual por via de sucessivas tensões, rupturas e mudanças por meio da qual eu me reconstruí e reelaborei numa perspectiva mais sofisticada...

Afinal, como tantos e tantos outros eu bem poderia ter permanecido fiel a ideologia ancestral e paralisado como uma ostra sobre um pedregulho... Eu poderia ter permanecido eternamente preso e acorrentado a Bíblia, recusando-me a pesar as evidências, a duvidar, a questionar, a descrer, etc

No entanto, como o aparelho sensorial dos humanos é muito mais desenvolvido que o das ostras, optei por fazer uso dele e por portar-me como autêntico 'homo sapiens', isto é, como alguém que procura informar-se, conhecer, analisar as evidências e pesar os argumentos ao invés de reproduzir automaticamente tudo quanto fora ensinado por pretendidas autoridades familiares ou religiosas. E por não conformar-me com o que pela natureza fora dado, tomei a via crítica...

Tal tomada de consciência implicava submeter as crenças familiares a 'prova'... fosse a prova da autoridade a que costumavam apelar insistentemente (O Evangelho) fosse a prova da coerência interna ou da razão ou a prova mais simples de todas a da percepção. Pois um é o mundo fabuloso ou mítico apresentado pelo Antigo Testamento (e portanto pela piedade protestante) e outro o mundo real que percebemos ( este sem 'cantos' ou comportas celestiais).

Foi este um momento traumático, doloroso e decisivo para mim - esta adesão ao pensamento crítico - e por isto desejo que todos tomem conhecimento dele tendo em vista os obstáculos que enfrentei e o fim a que cheguei. Pois a religião falsa ou primitiva utiliza-se habilmente do medo ou dos medos com o objetivo de aterrorizar os homens e impedi-los de pensar. Assim as doutrinas do Diabo e das penas eternas que ainda hoje, em pleno século XXI, atemorizam tantas almas mantendo-as escravizadas.

No decurso desta narrativa haveremos de ver como fui forçado a enfrentar tais ameaças, quase que a morrer de medo ou a enlouquecer.

Trata-se duma experiência significativa e preciosa para mim, a qual; por isso mesmo, desejo partilhar com tantos quantos comungam da mesma condição...

E demonstrar que apesar das pragas e maldições generosamente ofertadas pelos pastores e nome de seu 'deus de amor' cá estou eu vivo, saudável e feliz. Raio algum caiu sobre mim, não me tornei leproso ou canceroso, ou mesmo pobre e tampouco fui engolido pelos abismos por questionar os mitos do antigo testamento ou a formação capciosa da Bíblia.




Legado paterno...

Meu bisavô paterno - Braz Jerônimo - chegou a ingressar no seminário de Los Arcos e receber as ordens menores segundo o ritual da igreja romana, a qual minha família - descendente de mouriscos como já foi dito - era extremamente dedicada. Na vila dos Prados (Pinhel) era ele o único habitante que por saber latim era capaz de responder a Missa dominical. Em decorrência disto exerceu o ofício de sacristão ou acólito por cerca de meio século i é até morrer em meados dos anos 40.

Uma de suas irmãs guardava as chaves da igreja paroquial, outra zelava pelos altares e estátuas dos santos e uma outra pela conservação das alfaias e paramentos... e toda família dedicava-se, como já foi dito, as coisas da igreja. Além disto tenho por ancestral (colateral) o Pe Manoel Joaquim Bráz. Pe João Alves Correa 'Monografia histórica de Freixedas' ed Amilcar e Grilo 1972 pg 48

Meu avô paterno - que chegou a ser intendente do lugarejo - foi quem forneceu os recursos necessários para reparar a torre da igreja e nela inserir um relógio, além de doar a imagem de S Antonio que lá se encontra.

Apenas para constar, recorrerei a uma obra relativa a História local daquela região:

"Em 1963 adquiriu-se a imagem de S Antonio oferecida por Ilídio Brás." Pe João Alves Correa 'Monografia histórica de Freixedas' ed Amilcar e Grilo 1972 pg 285

Como no entanto fosse um homem de caráter extremamente cruel e desumano acabou dispondo os filhos a incredulidade e a revolta, especialmente meu pai, que era o primogênito.

Também minha avó Maria, era notadamente religiosa ou como se dizia então 'devota' ou 'beata', acorrendo assiduamente aos ofícios da igreja, os quais naquele tempo obedeciam ao ritual tridentino e eram abrilhantados pelo canto gregoriano. Isto na antiga Igreja de S Francisco dos Prados, em Pinhel.

Ao que se diz ela acreditava conversar com os anjos e santos... e pessoas de sua família - senão ela mesma na idade de 25 anos - teriam presenciado os 'supostos' sinais da Fátima.

Tendo passado ao Brasil ainda bastante jovem - a chamado de seu pai - meu pai acabou sendo, quase que de imediato, cooptado pelo movimento anarco sindicalista e aderido a uma ideologia ateística com certos vernizes de panteísmo. Quiçá tenha lido as obras de E Renan, Lizandro de la Torre ou de Rogélio Ibarreta. 





Um pai educador

Apesar disto, ao contrário de seu pai (meu avô), meu pai era um homem extremamente bondoso, afável, cordial e sobretudo instruído, tanto que passou o fim de seus dias folheando o 'Dicionário Lello' e algumas outras obras da Literatura portuguesa que ainda hoje carinhosamente retemos. Assim, quando atingi a idade de quatro anos e estando ele aposentado dos Portos, começou a ensinar-me, ele mesmo, as primeiras letras e as artes do cálculo possibilitando que fosse matriculado alfabetizado ou 'adiantado' como se dizia, no Grupo escolar profo Renan Alves Leite, ao tempo pertencente ao Estado, hoje ao município de S Vicente. Graças a ele, antes dos cinco anos, já havia lido meu primeiro livro, uma narrativa rocambolesca sobre náufragos e piratas intitulada 'Aventuras de João siri'.

Fui além disto incentivado por um de meus tios maternos, sr Antonio Pardal. Um dos raros elementos da parte materna de minha família que sempre permanecera alheio a religiosidade protestante e que jamais deixara de ler copiosamente.

Assim ao entrar na quadra dos doze anos já havia lido Mika Waltari (O egipcio), Dostoievsky (Crime e castigo), Defoe, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz... além de toda série infanto juvenil da Sra Leandro Duprê (A saga do cachorrinho Samba) e de diversos números da Coleção Vagalume, a ponto de decorar capítulos inteiros... Além dos gibis e revistas como O Fantasma, Zagor, Mandrake, Conan; o bárbaro, etc

Aos cinco anos de idade papai principiou a iniciar-me nos mistérios da História universal, da História portuguesa, da História nacional, da Geografia física, da Geografia política e da literatura portuguesa, sabatinando-me quase que diariamente. Tinha além disto, a minha disposição, uma pequena Biblioteca que havia pertencido a meu avô e cujos exemplares costumava ler e reler com grande prazer até o dia, em que minha mãe, preocupada, fez lançar ao latão de lixo...




Minhas professoras

Graças a ele, como já disse, pude situar-me a frente dos demais colegas de estudo e tornar-me, quase que de imediado, uma espécie de auxiliar ou secretário dos professores de História e Geografia - em especial das professoras Regina Marta  e Milena Gianonni as quais rendo preitos de eterna gratidão já pela competência invulgar, já pela amabilidade e polidez - e uma referência da escola. Quando tornei-me quinto anista as citadas mestras eram já senhoras e estavam prestes a aposentar-se. Calculo portanto que devam ter iniciado suas respectivas carreiras na década de 50. O método era tradicional e portanto limitado, a competência no entanto era exímia, a dedicação imensa e tínhamos uma grande vantagem: a do respeito. De modo que as aulas eram quase que 100% aproveitáveis.

Naquele tempo - meados dos anos 80 - a maior parte dos estudantes procedia de famílias bem estruturadas. Era um ensino mais ou menos seleto e por isso predominavam os bons modos. A 'educação' era dada em casa e dela trazida e a disciplina imaculada. Até a oitava série jamais ouvi qualquer colega responder ao mestre em voz alta ou insulta-lo.

Mesmo quando atingi o ensino médio, no final daquela década, e passei a outra escola, situada noutra parte da cidade, prevalecia um ambiente favorável aos estudos: o professor ministrava suas aulas e os alunos procuravam ouvi-lo e aprender. Recordo-me perfeitamente de que os primeiros atritos mais sérios remontam a 1994 ou seja de quando estava em sendo discutida a formulação da LDBN e alguns principiaram a falar em direitos irrestritos e incondicionais do aluno, segundo os quais ele jamais poderia ser removido da sala de aula, mesmo quando impedisse o aproveitamento de seus colegas...

Desde que este discurso individualista, irresponsável e leviano foi assumido por parte dos políticos e dirigente a situação jamais cessou de agravar-se. Cessando a escola de cumprir com seu papel educativo ou de socializar o educando.

Tornemos no entanto ao fio da meada...

A meu velho pai, portanto, devo tudo quanto hoje sou, inclusive a fortuna de ter cultivado os estudos filosóficos e de por fim ter encontrado e abraçado a fé Ortodoxa; isto porque foi ele quem predispoz-me a tais ascensões ao implantar-me na alma o gosto e o amor pelos estudos; pré requisito essencial a todo e qualquer progresso nos domínios do conhecimento, seja profano ou religioso. Este amor intenso pela instrução e pelo saber ou hábito formado é que me tem servido, até o presente dia, de lenitivo em meio as agruras comuns a existência, além de mitigar-me os dissabores, serenar-me as inquietudes e proporcionar-me incontáveis momentos de prazer e contentamento.

Na observação da vida, da natureza e seus fenômenos, da organização social, etc Bem como na busca pelo bom, o verdadeiro e o belo tenho encontrado uma fonte de alegria inesgotável... Na Biblioteca, por meio dos livros, tenho encontrado meio eficaz para conversar com os que já partiram sem precisar evoca-los... No Trabalho quotidiano a enfermaria da mente... No sono tranquilo e sereno um repositório de energias.

Assim todos os dias folgo estabelecer o mais fecundo colóquio com um Platão, um Cícero, um Paulo, um Orígenes, um Aquino, um Erasmo, um Bacon, um Russeau, um Marx, um Freud, um Maritain, etc E todos os dias alimento a mente com o que há de melhor, preparando ampla bagagem para a grande viagem.



Meus costados maternos

No entanto tal a geração do homem, tal a moeda...

Uma e outra tem duplo aspecto: a moeda duas faces ou lados, a geração dois ramos: paterno e materno.

Diante disto, após ter elencado minha ancestralidade paterna, cumpre descrever as origens e a família de minha veneranda mãe, por cujos costados recebi - juntamente com o sangue - os venenos da transcendência absoluta e o vezo do fetichismo por meio da servidão bíblica ou da bibliolatria. Tal herança no entanto, devo reconhece-lo, acabou redundando em meu maior benefício e suprema vantagem, como se sucede amiúde aqueles que amam a verdade e demandam por ela...


Experiencialidade protestante


É justamente graças a ela, que tendo entrado e saído da ideologia protestante - o que é privilégio facultado a poucos!!! - posso revindicar um conhecimento experiencial, concreto, vivo e real do protestantismo e opo-lo a visão ingênua, romântica e idealizada típica dos espíritas, ortodoxos, romanistas e mesmo incrédulos. Foi justamente este contato inicial com o protestantismo que veio a plasmar minha mentalidade anti ecumênica, alimentada do mesmo modo e maneira por uma concepção filosófica anti relativista.

Tendo conhecido de muito perto diversos padrões religiosos: protestantismo, papismo, espiritismo, ortodoxia, budismo, judaísmo, etc não posso aderir ao discurso segundo o qual todas as religiões sejam igualmente boas ou igualmente más. Muito pelo contrário estou firmemente persuadido de que algumas são mais vantajosas e outras mais ou menos danosas aos seres humanos.





Raízes papistas


Pelo lado materno meus ancestrais eram de origem espanhola e italiana, misturados em parte com a gente da terra (Portugueses e indígenas de Ubatuba). Da parte de seus ancestrais italianos minha bisavó recebeu aquele tipo de 'catolicismo' ou romanismo popular e folclórico, o qual resumia-se com assistir os principais eventos do culto: Missa, adoração do santíssimo, ladainhas, Te Deum, etc oficiados na vetusto santuário do Valongo, em Santos; santuário de antigas e imemoriáveis tradições, cujo aspecto no entanto, pouco me agrada devido a penumbra e o estilo barroco. Minha bisavó, segundo consta, era bastante dada a tais cerimônias; embora pouco ou nada soubesse a respeito da doutrina ou da fé posto que analfabeta.

Assim sua fé - como a de quase todo povo naquele tempo, especialmente das mulheres - era mais sentimental, emocional e mística do que teológica ou consciente...

Era todo um Catolicismo superficial e desprovido de bases ou suporte cognitivo; como sucede ainda hoje nos meios pós modernistas e carismáticos que tanto teem beneficiado a propaganda protestante.





A trajetória religiosa de minha avó materna

Vovó Leonor, desde menina, mostrou forte tendência a prática religiosa.

Comungava todos os Domingos, jejuava e confessava; amiúde no já indicado santuário franciscano do Valongo. Até onde sei, durante numa destas confissões um dos padres teria feito algumas perguntas inconvenientes ou de teor sexual (Minha avó sempre tendeu ao puritanismo extremo)... as quais tendo sidas mal interpretadas por minha avó, levaram-na a agredi-lo.

Foi o que costumamos classificar como escândalo e quanto bastou para incompatibiliza-la com a igreja romana e a afasta-la de suas práticas. Antes disto no entanto faz-se necessário registrar que a exemplo da maior parte dos parentes e das amigas, minha avó já havia tido contato com o espiritismo kardecista, isto após um de seus irmãos ter sido vitimado pela gripe espanhola pelos idos de 1913.

A bisavó no entanto continuou assistindo regularmente as missas e ofícios como era hábito seu.

Quanto a esta minha avó, sob os auspícios de uma amiga, não tardou a tornar-se partidária do espiritismo e, posteriormente, a atuar como médium num dos diversos centros da cidade. Isto pelos idos de 1920/22.

Quando mamãe (1932) e meus tios (1922, 1926, 1930) vieram ao mundo, vovó já era fervorosa discípula de Allan Kardec e fiel consumidora das beberragens homeopáticas fornecidas pela Pharmácia do 'Anjo da guarda'.

Seja como for, quando minha mãe contava com cerca de cinco anos de idade (1936) a avó (contando já com cerca de 40 anos) teve um surto psicótico. Tendo de ser conduzida a Itapira, hospitalizada e isolada. Foi ao que parece caso de depressão pós parto agravado por certas 'intrigas familiares'... seja como for esta minha avó ficou completamente arruinada dos nervos e extremamente agressiva, ao menos quando surtava e amiúde surtava, com grande perigo dos filhos pequenos.

Desde 1929 - após a famosa crise econômica em virtude da qual perdera grande parte de seus bens (terras e imóveis) -  a bisavó (crendo ter sido desamparada pelos Santos da igreja romana, dos quais sempre fora devota) a exemplo da filha, também deixou de prestigiar os atos do culto romano, sem no entanto envolver-se com o espiritismo ou com qualquer outro tipo de fé e tornando-se, como dizemos hoje, indiferente ou irreligiosa.




A passagem da família ao protestantismo

Lamentavelmente, a indiferença da bisavó Adelina durou muito pouco tempo. Pois já em 1935, a instâncias duma comadre 'recém convertida', travou contato com a famigerada 'Assembléia de Deus' a qual, pouco tempo depois, passou a frequentar regularmente. Isto se deu justamente quando minha avó - que permanecera, até então, fiel ao kardecismo - enlouqueceu e, como já dissemos, teve de ser isolada em Itapira.

Nesse mesmo ano - 1936 - a bisavó tomou a decisão insólita de rebatizar-se e como sinal de fé, ou melhor de fanatismo e grosseria, fez despedaçar e queimar nosso lindo oratório de jacarandá, que com as figuras dos santos, havia sido legado pelos ancestrais... Tais os fastos do iconoclasticismo, da selvageria e da barbaria e minha família, trazidos é claro pelo fundamentalismo bíblico!

Destruída a obra de arte, a bisavó dirigiu-se a supradita seita e banhou-se nas águas, tornando-se oficialmente protestante. S Cipriano no entanto afirma que "O Batismo das seitas nada purifica mas contamina." ,e nós recebemos seu testemunho como verídico.

Posteriormente - isto é após a bisavó ter ido para seu próprio lugar em 1945 - uma de suas filhas (que havia abandonado a seita Batista e se tornado indiferente) declarou que tendo ido a uma sessão espírita lá manifestou-se sua mãe e pos-se a lamentar amargamente sua adesão ao protestantismo até declarar que se achava num lugar de expiação respondendo por seus pecados. Não posso assegurar que tal comunicação seja verdadeira, mas também não direi que seja falsa... Os protestantes no entanto - por serem peritos nos escritos dos judeus - sabem muito bem que a medium de Endor foi capaz de chamar com sucesso ao espírito do sacerdote Samuel e que suas respostas foram todas verdadeiras... é o que esta escrito e bem escrito lá no livro deles...

A menos que mintam e enfiem lá o Diabo ou satanaz distorcendo o sentido do texto como costumam fazer.

Durante os dois anos subsequentes a conversão de minha bisavó (ou seja até meados de 1938 - 9) não houve dia da semana ou do mês que não levantasse vidente ou profeta, no templo em que ela frequentava, com o intuito de anunciar o pronto livramento de sua filha, minha avó, isolada em Itapira... E no entanto, o estado de saúde de minha avó, tanto mental, quanto físico, deteriorava-se cada vez mais.

Diante disto - com o passar do tempo e a reedição das mesmas profecias - a bisavó, foi perdendo sua fé na 'Assembléia de Deus' (1940) até que instada por outra vizinha, decidiu ir a reunião da seita rival, a não menos famigerada 'Congregação Cristã do Brasil' fundada pelo italiano Francescon. E lá chegando, sucedeu-se um daqueles inúmeros fenômenos paranormais ou metapsiquicos que tanto mexem com o imaginário de nossos pentecostais iletrados e de toda gente inculta.

Refiro-me ao fenômeno da telepatia - devidamente corroborado pelo pesquisador Warcollier - o qual sob a alcunha de 'profecia' costuma ser bastante explorado por eles... quando a telepatia é 'deles' classificam como 'divina' quando ocorre no terreno de qualquer outra fé, classificam como 'demoníaca'; e assim fica muito fácil mesmo manipular....

Mal minha bisavó entrara na sala de reuniões da CCB, levantou-se um 'profeta' anunciando-lhe que chegara a hora da graça para sua filha - minha avó - caso ela, a bisavó, fosse imediatamente a Itapira busca-la e traze-la aquela sala de reuniões. Pois obedecida a ordem divina, a enferma haveria de ser completamente curada pelo poder do espírito santo naquele mesmo local. Diante de tais palavras de encorajamento Dna Adelina não hesitou, partiu no primeiro trem para S Paulo, assinou os papéis, retirou a filha do hospício, trouxe-a de volta a Santos e conduziu-a de imediato a sala da CCB, onde - segundo dizem - foi 'miraculosamente' curada, recobrando sua sanidade mental. Isto é o que se conta e diz porque na verdade minha avó jamais deixou de apresentar certos tiques ocasionais e jamais tornou-se perfeitamente 'normal', apenas cessou de surtar com perigo alheio.

E se cessou de surtar é justamente porque a enfermidade de que sofria era de fundo mental, psíquico ou afetivo - como 70% das doenças - e não de fundo somático ou físico. Do contrário as orações e a auto sugestão não teriam produzido qualquer efeito e ela teria permanecido desajustada.

Seja como for, diante do suposto prodígio, tanto minha avó quanto os irmãos mais velhos de minha mãe foram todos 'rebatizados', enquanto minha bisavó, bem como seus filhos e netos (que já havia sido rebatizados na Assembléia de Deus) foram rebatizados pela segunda vez, arrenegando o batismo da Assembléia de deus. Sendo assim praticamente todo ramo materno de minha família tornou-se protestante, sectário e pentecostal cerca de trinta e cinco anos antes de que este que vos escreve chegasse a existir.

Após o restabelecimento de minha avó, a bisavó - reconhecida e fanatizada - decidiu consagrar sua vida inteiramente ao novo deus, a ponto de burlar os ensinamentos da própria CCB - no que diz respeito ao ofício da mulher - e de anunciar publicamente sua nova fé em pleno porto de Santos, distribuindo Bíblias e folhetos de índole religiosa a marinheiros, turistas e transeuntes. E nem preciso dizer que sua atitude fez escândalo...




Uma família: diversas seitas

Logo após a morte da bisavó - que faleceu com cerca de 60 anos em 1945 - a família cindiu-se em três grupos religiosos e rivais: Congregados (minha avó e filhos), presbiterianos e batistas (irmãos e primos de minha avó). Por esse mesmo tempo uma das irmãs de meu avô materno (esposo desta minha avó Leonor) professou na Assembléia de Deus...

Desde então introduziu-se em nossa família a dissidia religiosa, pois cada grupo ou membro tomou a peito demonstrar que o outro estava completamente equivocado por não compreender 'O VERDADEIRO SENTIDO DA 'Bíblia'... isto é a mesma Bíblia que todos liam e estudavam tão ativamente... E QUANDO NASCI ESTAVAM EM PÉ GUERRA.

Era uma grande confusão e não se podia saber ao certo o que Jesus teria ensinado sobre a divindade ou o mundo futuro. O que havia ali era apenas discussões em torno de intrepretações capciosas, nada que suspeitasse a verdade!




quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

protestantismo e filosofia, razão, ceticismo, relativismo, etc PARA AMPLIAR DEPOIS












Carta a Breno.



"Ao contrário do que tem sido divulgado em certos meios, a teoria da dupla verdade jamais fez parte do patrimônio intelectual que nos foi legado por Aristóteles.


Pois o Filósofo nuca sustentou que a teoria da imortalidade da alma FOSSE OPOSTA A RAZÃO, IRRACIONAL, inaceitavel e falsa.


A crítica do Filósofo tinha em mira a fregilidade dos argumentos que Platão, seu mestre; havia posto nos lábios de Sócrates, com o objetivo de estabelecer racionalmente a doutrina da sobrevivência da alma humana. Segundo nos é dado inferir de seus escritos as evidências apontadas por Platão não eram suficientemente claras a ponto de levar o intelecto a decidir-se, sem que resta-se qualquer dúvida ou hesitação a respeito. Destarte A IMORTALIDADE DA ALMA NÃO PODIA SER CORROBORADA OU CERTIFICADA PELA RAZÃO COM AQUELE TIPO DE CERTEZA QUE DESCREVEMOS COMO ABSOLUTA.


TRATAVA-SE POIS, DO PONTO DE VISTA RACIONAL, DUMA DOUTRINA INCERTA, INSEGURA E VAGA; DUMA POSSIBILIDADE, DUMA OPINIÃO, DUMA TEORIA, QUIÇÁ ATÉ PLAUSÍVEL MAS, EM HIPÓTESE ALGUMA, DUMA CRENÇA ABSURDA E OPOSTA A RAZÃO OU DUMA IMPOSSIBILIDADE MANIFESTA. Aristóteles exprime amiude, dúvida e hesitação a respeito e não uma negativa resoluta.


Segundo seus escritos, tanto poderiamos inferir, partindo dos seres e suas relações - por via de dedução (lógica) - a sobrevivência da alma quanto sua destruição ou mortalidade após a morte do corpo, não sendo possivel ao intelecto obter suficiente clareza a ponto de decidir-se irredutivelmente. No caso a sobrevivência, inda que possivel - E no Tratado da alma o próprio Aristóteles se refere ao não envelhecimento por parte do intelecto como um forte indício a favor desta possibilidade (de que a alma seja imortal) - era sempre uma questão de probabilidade ou de verosimilhança; jamais de certeza absoluta.


Como é assaz sabido por parte dos estudiosos o perípato jamais endosou a crença, opinião ou teoria do materialismo; coube-lhe certamente a glória de lançar as bases do empirismo refletido - que é o fundamento da ciência - sem no entanto descambar naquele empirismo crasso que denuncia a metafisica como vã e lança os fundamentos do cientismo... Para Aristóteles além e acima daquele conhecimento experimental que poderiamos obter sobre o mundo físico, havia uma espécie de conhecimento racional ou intelectivo; que partindo do conhecimento do mundo e dos fenômenos contingentes (ou seja do conhecimento cientifico) atingia a causa primária de todos os seres, a saber; Deus, sem no entanto inferir qualquer coisa a respeito dele(daí ser classificado como semi-agnósta). Quanto a questão da alma sua filosofia era ainda mais retiscente e por assim dizer plenamente agnósta nos termos de um probabilismo bastante vago.


E sem embargo de tais reservas Aristóteles registrou na sua ética que aquilo que não podia ser demonstrado com evidência evidente nos termos da metafisica, podia muito bem ser sustentado como verdadeiro pela fé ou religião, neste caso caberia a revelação, não, contrariar, mas completar o ofício da razão, levando suas cogitações sobre Deus e a alma a perfeição. Ele jamais negou que o seu Deus impassivel pudesse ser conhecido por inteligências tanto mais próximas de sí e tanto mais elevadas na escala dos seres. Refiro-me a mediação dos Daimones ou deuses, que eram espécies de santos para os antigos pagãos e a cujos oráculos cabia profetizar, instruindo os mortais sobre os mistérios divinos. Apuléio de Madaura expoz detalhadamente a questão sobre a mediação dos espiritos inferiores a Deus e superiores a nós, bem como Plutarco e o próprio S Agostinho no livro da Cidade de Deus, apontando-lhe os pontos fracos.


Noutras partes dá a entender que durante os primórdios da humanidade os deuses desceram a terra e ensinaram aos homens as doutrinas religiosas que eram conservadas de geração em geração a semelhança de nossa tradição apostólica e da suposta tradição patriarcal alegada pelos rabinos, por alguns padres, escolásticos e apologistas - como Bautain, Bonetty, Ventura de Raulica, etc cognominados tradicionalistas - e por todos os sectarios e judaizantes que ainda hoje - a semelhança de Lutero - repudiam o testemunho dos sentidos e da razão, chafurdando no pântano lamacento do fideismo.


Aristóteles no entanto jamais opoz sua filosofia a religião (sustendo a irreligiosidade ou a indiferença religiosa - embora não deixasse de críticar as superstições e abusos - antes reconhecendo os límites da via racional, ao menos no que tange a certas questões - como a imortalidade da alma - deixava o caminho livre a fé. Eis porque se diz que o pensamento aristotélico sem ser religioso é aberto a religião.


É de se supor ter admitindo ainda que a fé pertence ao domínio da liberdade (compreenda-se isto não como qualquer tipo de seleção doutrinaria mas como liberdade para não se crer) e não da coação; o que ia de encontro a opinião dominante, segundo a qual todos eram obrigados ou constrangidos a tomar parte nos ofícios religiosos e proibidos de questionar tudo quanto fosse considerado sagrado. Seja como for ele acabou mostrando-se tão zeloso para com as fronteiras do campo conquistado pelo conhecimento natural ou profano (seja a filosofia ou a ciência) que os sacerdotes acabaram por bani-lo de Atenas.


Naquele tempo as pretensões da religião ainda eram bastante amplas e seus clamores secundados pelo poder cívil, e ja sabemos porque Sócrates teve de tragar o amargo cálice que tragou..."







Carta a João Henrique



"...para Aristóteles, nem a sobrevivência nem a morte da alma podiam ser estabelecidas racionalmente. Diante desta questão sua postura não era nem espiritualista nem materialista mas agnósta ou, como haveria de ser fixado por seus seguidores: realista, em oposição aos extremos do otimismo romântico e do pessimismo exacerbado.


Aristóteles sequer imaginou a aberração lógica segundo a qual uma afirmação falsa do ponto de vista racional pode ser absolutamente verídica no domínio das crenças religiosas; disto decorrendo estar a fé em estado de franca oposição ou de contradição face as exigências do intelecto, isto é, da razão. Atribuir esta teoria ao filósofo é estuprar seu pensamento e perverter-lhe o sistema.


Para bem compreender-mos o Averroismo, devemos começar por Alexandre de Afrodisias, o qual costuma a ser apontado pelos estudiosos como o principal comentarista aristotélico e portanto como um de seus interpretes mais autorizados, tão autorizado que os árabes e talvez os própios sírios e persas seus mestres, acabaram tomando os comentários dele como palavras do próprio filósofo.


Até onde nos é dado saber Aristóteles nada explicitou sobre os termos 'intelecto potencial' e 'intelecto material' (Termos cunhados por Alexandre para designar as operações mentais descritas pelo filósofo) Alexandre no entanto - cuja tendência era acentuadamente material ou materialista - separou um do outro e afirmou a geração e a corrupção do intelecto material estabelecendo cono absolutamente certa a mortalidade da alma.


Averroes - que como é assaz sabido nem sempre soube ser fiel ao pensamento do Mestre, além de atribuir-lhe tudo quanto fosse da lavra de Alexandre - afirmou a unidade do intelecto material, bem como sua materialidade, geração e corrupção nos mesmos termos que o comentarista grego. Não é por acaso que entre as téses averroistas que foram condenadas pela Universidade de Paris (sob a presidencia de Estevão Tempier) em 1279, nos deparamos com aquela segundo a qual a alma "... sendo forma do homem perece juntamente com seu corpo." Tais pensamentos e palavras (de Averroes e Alexandre) no entanto, eram comumente citadas e repetidas como sendo de Aristóteles ou ao menos como expressão fiel de suas idéias.


Aristóteles no entanto havia registrado - no Tratado da alma - que o intelecto ''não pertence ao mesmo gênero (composto) que as coisas corpóreas' e que mesmo ligado ao corpo e dependente do corpo 'não é parte do corpo', donde infere sua impassibilidade e chega a afirmar que se trata de uma 'aspecto divino'.


Por fim o filósofo arremata magistralmente: "Esta alma (intelectual e humana) é um tipo diverso de alma (face a alma animal e a alma vegetativa) permanecendo separada, COMO IMORTAL, daquilo que perece (o corpo e as outras duas almas)


Teofrasto de Ereso não foi menos explicito ao afirmar que este intelecto, batizado por Alexandre como material, é pelo contrário imaterial, indepente, auto-existente e reunida ao homem no momento de sua concepção.


Todavia, como islamita e habitante de um país muçulmano, Averroes teve de forjar uma boa desculpa para não cair nas malhas da Sharia... eis porque achou conveniente esclarecer que uma aberração qualquer no domínio da lógica pode ser válida e verdadeira no domínio da fé e que um erro qualquer no campo da religião pode ser verdadeiro no campo do raciocínio.


Esta doutrina recebeu o nome de Averroismo.


Vertidas suas obras ao latim, no começo do décimo terceiro século, iniciou-se o flerte com a teoria da dupla verdade, entre os seus representantes, podemos citar Martin da Dácia, Jacob de Douai, Giles de Orleans, Antônio de Parma e sobretudo Sigerius, que foi o campeão do partido...


.... no que concerne a evolução histórica do pensamento filosófico, o alexandrinismo e o averroismo foram retomados pelos neopagãos, céticos e materialistas do século XVI agrupados - em Pizza e Bolonha - sob a autoridade de Aristóteles, mas, como sabemos, apoiando-se nas vãs locubrações de Alexandre, Averroes, Sigerius... de que temos exemplo em Pietro Pomponazzi.

Para Pomponazzi a lógica opunha-se formalmente a crença na imortalidade da alma. Segundo ele, racionalmente falando, era impossivel que a alma sobrevivesse a morte do corpo, todavia como não desejava ser conduzido aos ergástulos da inquisição, o astuto diletante achou por bem acrescentar que "Pela fé todavia, somos informados de que a alma sobrevive." assim "O que negamos pela razão, afirmamos pela crença."

O último representante desta tendência parece ter sido Cremonini (+ 1610), que..."



 Fragmento de aula ministrada na acâdemia.




"... nem todos (os protestantes) permaneceram fiéis ao ensinamento de Lutero sobre o assunto e muito menos coesos. Antes - como é costume entre eles - cindiram-se em, no mínimo, três grupos, dos quais ainda nos compete analisar dois: o dos fundamentalistas e o dos 'duplicistas' ou seja o daqueles que conservando a tradição de Lutero sustentam que a FILOSOFIA E A CIÊNCIA NÃO SÓ PODERIAM COMO ATÉ DEVERIAM DESAPARECER DA FACE DA TERRA (pensamento que não é de todo estranho a nossos pentecostais, fundamentalistas e criacionistas) e o daqueles que julgaram por bem cobrir o criacionismo com uma boa camada de verniz averroista.

'A NARRATIVA DO HEXAMERON PODE SER MUITO BEM SER FALSA PARA A CIÊNCIA E VERDADEIRA PARA A RELIGIÃO SEM QUE HAJA QUALQUER PROBLEMA...' é o discurso propalado por eles face as críticas dos liberais.

E assim ja sabeis quanto o criacionismo é versátil, como ademais toda doutrina protestante...

Certamente que não encontrareis este tipo refinado de criacionista pelas esquinas, convem todavia, estar preparado para retrucar-lhes.

A primeira coisa que devemos fazer notar a estes filhos bastardos de Siger é que eles olvidaram por completo aquele princípio tão salutar formulado pelo ilustre pensador de Eléa: NADA PODE SER E NÃO SER, AO MESMO TEMPO E SOB O MESMO ASPECTO. Labora sempre em erro todo aquele que põe de lado a doutrina, evidente por evidência manifesta, da exclusão dos contrários.


Apliquemos tal princípio a doutrina criacioburrista:

E; para melhor faze-lo explicitemos antes que, segundo o criacioburrismo, o objeto da fé e o objeto da ciência convergem para o mundo material dos fenômenos.

Feita esta indispensável observação ponderemos juntos:

- SOB O ASPECTO DE TEMPO AS FORMAS DE VIDA NÃO PODEM TER SURGIDO NUM INSTANTE TODAS JUNTAS E TER SURGIDO SEPARADAMENTE NO DECORRER DE QUATRO BILHÕES DE ANOS... POIS TRATAM-SE DE UNIDADES DE TEMPO TOTALMENTE DIVERSAS.

Destarte quando a forma mais simples de vida - o virus - veio a existir, restavam ainda 3.998.000.000 de anos caso tomemos por padrão o aparecimento do primeiro homem...

Talvez alguém replique dizendo que aquilo que é muito tempo para nós pode ser um simples 'instante' ou um 'momentozinho' apenas para Deus... (observemos que este tipo de argumentação - artificiosa - convem mais ao 'fórum' do que ao santuário divino na medida em que se opõe a doce simplicidade da palavra de Cristo, tal como a encontramos no sagrado Evangelho. O protestantismo no entanto é isto: uma espécie de perpétuo exercício de retórica através do qual podemos tanto sustentar como negar a mesma tése.)

A senda da exegése protestante, tal como nos depara-mos com ela no dia a dia, é amarga e indigesta a ponto de conduzir o homem sábio, prático e refletido a desilusão e a incredulidade. Pois é um eterno apelar a este ou aquele recurso com o premeditado intuito de jamais capitular frente ao 'opositor' e nunca - como deveria ser - uma forma de se chegar a verdade ou de se aprender...

O livro no entanto afirma tratarem-se de sete dias verdadeiros de vinte e quatro horas literais, com manhã e tarde (quem já viu instante divido em dias, cindido em manhã e tarde??? Será que não havia um modo mais claro com que a escritura se expresa-se e se fize-se compreender? mormente quando a doutrina protestante afirma ter sido ela posta para a gente simples e ser de fácil apreensão?)... tão literais que a guarda do sábado baseou-se no sétimo deles.

Tornemos porém ao raciocínio já exposto: Importa dizer que caso o livro esteja certo A CIÊNCIA ESTARÁ ERRADA e que caso o cientista esteja certo O LIVRO ESTARÁ ERRADO.

Isto se chama coerência e é jutamente o que confere solidez ao raciocínio humano...

Caso exista mesmo um dilema entre fé e ciência - pois o Criacionismo e demais formas judaizantes são todos falsos dilemas na medida em que ignoram a doutrina segura da distinção dos campos (segundo a qual o objeto da razão é um e o objeto da revelação é outro) - ele só poderá ser resolvido quando formos capazes de descobrir qual dos dois termos é falso... para po-lo de lado evidentemente...

Se de fato existem 'duas' verdades opostas correspondentes a duas realidades opostas, que garantia teriamos de que não hajam três, quatro, cinco... milhares ou talvez milhões... quiçá uma verdade 'per capita' e uma realidade a parte forjada por cada um??? Caso o mundo sublunar esteja em franca contradição com o mundo invisivel a ponto de se excluirem mutuamente, o que nos impediria de concluir que ele mesmo pode estar fragmentado em outras duas realidades: a coisa em si e a coisa percebida? Caso este mundo esteja fragmentado em duas partes contrárias que nos impediria de suspeitar que cada homem seja uma parte dele? E caso admitais que cada homem seja uma parte separada dos outros homens quanto a percepção e as faculdades intelectivas que nos impediria de chegarmos a derradeira e fatal conclusão de que cada homem esta, ele mesmo, fragmentado e dividido em outras tantas partes em luta? O fim de todo este recurso exegético com que suster uma doutrina vã e temerária, tereis já ultrapassado as barreiras do próprio solipsismo e chegado a crer que todo este universo não passa de um imenso agregado de atomos pensantes que jamais pensam em comum, que jamais se encontram e que jamais se entendem. Pois admitida uma única cisão, contradição ou oposição neste campo todo laço que une de algum modo os seres humanos poderia vir a ser roto.

Evidentemente que tantos quantos possuem uma noção gregária, social ou católica de vida, sentem-se chocados diante de tal possibilidade, os protestantes no entanto, por via de livre examinismo, estando já completamente separados uns dos outros no plano da fé, sequer se importam... para eles a cisão, a confusão, o desentendimento não se apresentam como problemas... eis porque a filosofia alemã durante o décimo nono século..............................

Contra semelhante aberração indicamos dois excelentes antidotos:
  • "A unidade do intelecto." por Tomás de Aquino, impugnação já clássica ao averroismo divulgado por Sigerius.
  • "Materialismo e empirocriticismo" por Wladimiro Lênin (vezo materialista), impugnação igualmente clássica a todos os tipos de sopas idealistas e subjetivistas/relativistas.

Não cessamos de recomendar a todos os ouvintes a aquisição e o estudo de ambas as obras."



Outra aula



"Acompanhemos o percurso desta mente tão brilhante (a ponto de ter sido vertida para o grego por Dimitri Kiddonés) que foi a mente de Tomás de Aquino.

Dificilmente podereis negar a um lado sua piedade para com as coisas santas e divinas e por outro sua acuidade e prudência nos domínios do pensamento humano.

Antes de tudo devemos dar por certo que Deus seja autor da natureza.

Mesmo remotamente o gênesis dá a entende-lo... eis porque outras partes mais nobres da escritura como os Salmos e sobretudo a Epistola direcionada pelo Beato Paulo aos Romanos, sustentam que através da contemplação da natureza a mente humana é perfeitamente capaz de elevar-se a natureza divina. Pois bem esta é a via de Aristóteles, desse Aristóteles tão execrado por Lutero... a via do salmista e do apóstolo e a base mesma da fé.

Donde se infere antes de tudo que o universo não é obras de si mesmo ou de qualquer outro ser, seja ele um demiurgo ou um demônio, como supunham os gnósticos e maniqueus iludidos por Platão e como supoz o próprio Platão - ao mesno durante algum tempo - cujos raciocinios se deixaram escurecer pelas idiotices ensinadas pelos mistagogos em seus 'mistérios'.

Mistérios da burrice...

Para inferir-se logo em seguida, que - ao contrário dos infundados temores de Agostinho e do ensinamento positivo dos reformadores protestantes, em especial de Lutero - a razão humana, por via natural e sem a necessidade de qualquer luz ou graça que a socorra, é perfeitamente capaz de chegar ao conhecimento de Deus, que é o mais elevado tipo de conhecimento e a base da fé.

Assim a revelação nos encaminha a razão, a razão abre nossas mentes a fé esclarecida e a fé esclarecida - como reconhece o próprio Agostinho - deleita-se em examinar e compreender a si mesma por meio da razão, convertendo-se em teologia. Tal o percurso quase dialético feito pela fé e pela razão...

Pois o mesmo autor da Revelação ou da fé é o mesmo Deus autor do mundo e do intelecto humano. Destarte como poderia ele decretar oposição irredutivel e não harmônia entre as coisas as quais ele mesmo deu o ser como o mundo celestial, o mundo visivel, a revelação, a percepção e a razão? Como poderia o único autor produzir tais fenômenos sob a forma de antipodas ou de negações? Porque cargas dágua haveria de opor suas obras e de lança-las umas contra as outras engendrando a confusão?

E assim já percebemos que embora possam haver gráus de entendimento capazes de serem superados e completados, não se pode postular ou defender a existência duma oposição irredutivel entre este mundo e o outro, entre a fé e a percepção, entre a revelação e a razão; sem se introduzir uma fatal divisão entre as coias criadas.

Chegamos pois a conclusão segundo a qual a oposição entre a ciência ou melhor a percepção e a fé é e sempre será impossivel pelo simples fato de que o campo de cada uma é específico e que jamais se encontram.

O campo da experiencialidade é o mundo material e contingente dos fenômenos enquanto o campo da fé é, como declara a santa escritura: "A existência daquilo que não se vê." ou seja da transcendencia, do além túmulo, do inascessível; e não o mundo material e visivel como afirmam os criacionistas em franca oposição a escritura.

Quanto a oposição entre a nossas categorias lógicas de pensamento - isto é a filosofia - e a revelação, tampouco é possivel, ao menos quanto as realidades celestiais que foram criadas ou que se manifestaram no mundo.

A única excessão, possivel, plausivel e admissivel seria aquela Trindade que diz respeito a natureza incriada... excessão no entanto não é regra nem destrói a regra. (pois nos deparamos com elas no domínio da química e em seguida no da biologia, sem que por isso mesmo invalidem uma regra geral.)

Por outro lado esta excessão não deixa de ser plenamente justificável caso tenhamos em mente que seja Deus... e a especificidade, e a singularidade deste nome e idéia, mesmo no domínio da fé.

Não quero dizer com isto que fomos produzidos para jamais compreender perfeitamente o Ser divino, mas que fomos produzidos para atingir este conhecimento de gráu em gráu, de ascenssão em ascenssão, de glória em glória; pois quando soubermos de fato o que seja Deus e assimilar-mos por completo o significado de sua natureza, sem qualquer limitação ou vestigio de obscuridade, então seremos como que deuses por participação tendo atingido nossa meta ou propósito final. Parece certo no entanto que não atingiremos tal propósito aqui neste mundo ou ao menos na presente econômia. Possuimos tal conhecimento como potência a ser plenamente desenvolvida e a qual sera acrescentada outra capacidade, e outra, até que atinjamos o fim último a que me referi.

Excetuada a magestade da excelência incriada fica estabelecida a unidade entre todas as coisas criadas e manifestas, sejam celestiais ou imanentes e a total impossibilidade de que os dogmas religiosos do Cristianismo Católico e Ortodoxo, oponham-se a razão nos termos da lógica.

Tal tipo de oposição irredutivel segundo a qual poderiamos afirmar que tal dogma é irracional, contraditório em si mesmo ou incompativel comos demais dogmas é inadmissivel, inaceitável e absurda.

A fé Santa e Católica distingue-se perfeitamente dos inumeros credos protestantes -  produzidos pela imaginação humana - justamente por sua coerência interna (pela qual os artigos de fé estão ligados uns aos outros e de pleno acordo) e externa, esta face as leis e exigências do intelecto as quais não só respeita como satisfaz.

Aqui estamos diante de um universo ou de um todo harmonioso."



Obs.: Até aqui a teoria averroista da dupla verdade.






Carta a Arícia






".................................................................................................................................................................................................. Desde muito cedo alguns cristãos já sinceramente pessimistas - como Agostinho de Hipona - ja oportunistas, resolveram flertar com esta perigosa doutrina - do ceticismo - a ponto de acreditar ser perfeitamente possível - e até conveniente para a causa da fé - inverte-la de ponta cabeça, por meio de uma crítica cerrada aplicada a razão e a experiência ou seja duma reflexão exercida sobre ambas que fizesse ressaltar a fragilidade do entendimento humano.

Foi assim que os germes daquele ceticismo invertido cognominado fideismo, apareceram no corpo da parte ocidental da Igreja.

Enquanto foi mantida a unidade entre Oriente e Ocidente tais germes não puderam florescer e propagar-se devido ao peso da tradição oriental, tanto mais simpática para com a razão humana e mesmo para com a experiência...

No entanto, mesmo nas terras do Oriente, tal tradição veio a ser cada vez mais questionada e combatida sob o influxo do neo platonismo, o qual, sendo batizado e crismado com o nome de palamismo subverteu as bases mesmas e os fundamentos da teologia patrística.
Apesar da ruptura ocorrida no Oriente sob os auspícios do palamismo e a redução da teologia ao místicismo e a fé, quase nos termos de um Tertuliano; não temos notícia de que qualquer teólogo ortodoxo medieval tenha formulado algo sequer parecido com essa epistemologia revolucionária cujo objetivo foi impugnar as credenciais da razão ou a experiência no plano mesmo do conhecimento natural.

Nossos teólogos repudiaram a teologia natural e a alta teologia especulativa - passando a indentifica-la erroneamente como uma forma de gnosticismo - mas não o emprego da razão e da experiência no domínio que lhes é próprio ou seja no plano da imanência.

O primeiro a tecer uma verdadeira crítica a razão, ao conhecimento metafísico e de algum modo as bases mesmas do entendimento humano foi o franciscano W Occam, púpilo de Agostinho e herdeiro de suas suspeições e reservas face a construção dum saber verdadeira e universalmente válido.

Para Occam as abstrações não existiam nos objetos (enquanto 'universidade in re' - Aristóteles) e sequer como conceito correspondente a qualquer coisa de real (ou seja, enquanto 'universalia post rem' - Abelardo) que existisse neles; disto se segue que nossos conceitos - por serem frutos da abstração - não existem.

Donde tudo quanto postulamos fundamentados neles, é ilusório e vão; meras palavras ou como diziam 'flatus vocis'.

Eis que nos encontramos a um só tempo diante do passado e do futuro ou seja, diante de certas opiniões emitidas por Górgias e Protágoras e sobre a moderna teoria do discurso, forjada por Nietzsche e segundo a qual aquilo que chamamos de verdade não existe, tudo quanto existe, a nivel de conhecimento não passa de interpretação.

Aqui a verdade sequer pode ser dupla, pois ao emprestar um tom todo individualista ao conceitualismo e postular que cada qual produz independentemente suas abstrações e cria seus próprios conceitos, segue-se que tais conceitos sejam únicos e totalmente difersos dos outros; e que não existe qualquer coisa de comum entre os eles.

É pois impossivel a construção de qualquer tipo de conhecimento natural que seja universalmente válido e verdadeiro... tudo é particular, cada homem é como se fosse uma ilha e há tantas verdades quanto cabeças...

A FÉ NO ENTANTO CONCEDE-NOS O APOIO E O CONFORTO QUE NOS É NEGADO PELA RAZÃO, DONDE A FÉ É TUDO E RAZÃO NADA.

O 'nominalismo' foi abraçado e sustentado com fervor por um grande número de escolásticos, mormente por Gabriel Biel, que em seus 'Comentários as sentenças de Pedro Lombardo' refere-se a Occam como sendo seu Mestre.

Segundo Matthias Schbeen (Dogmática 1073) Biel chegou a ser o supremo representante da ideologia nominalista.

Destarte chegamos a Lutero, pois foram justamente as teorias de Occam e Biel que plasmaram-lhe a mentalidade e determinaram sua visão de mundo, no caso infensa ao conhecimento natural.

"Outro autor em que se deleitava era o franciscano inglês Gilherme Occam, o 'doctor invencibilis', também nominalista... Lutero colocava-o acima de Aquino e Scotus. ERA PARA ELE SEU QUERIDO MESTRE... A TEOLOGIA DO FRANCISCANO INGLÊS MUITO INFLUIU NA VIDA DO REFORMADOR." assevera Themudo Lessa em seu "Lutero" 1956 pp 32

Ouçamos porém ao próprio Lutero: "Occam foi um homem capaz e sensível." in 'Conversações a mesa' 538

Segundo Funk Brentano (Lutero pp 43) "De Gabriel Biel, o jovem Lutero sabia páginas inteiras de cor..."

"Era apreciador de Pedro D Ailly, outro discípulo de Occam." Themudo Lessa id pp 33

Examinemos agora as consequências, desta autêntica, DEformação:

Enquanto a Escritura descreve o verdadeiro culto tributado a Deus como sendo 'racional'. Lutero descreve a como sendo uma "prostituta desvairada" &  a "concubina do Diabo" Wittemberg, 1546, último sermão.

Feito isto o pai do protestantismo convida-nos a atirar lama, estrume e outras tantas imundíces sobre a caratonha da ínfame com o intuito de torna-la ainda mais odiosa...

"É impossivel fazer a fé concordar com a razão... a razão é inimiga da fé. A Deus porém cabe dar a fé contra a natureza e contra razão, constrangendo o homem a crer." (in Denifle trad Fr de Paquier III, 275)

"Mesmo a nós que recebemos as primicias do Espírito é impossível compreender e crer perfeitamente todos estes pontos - os quatro 'solas' - pois eles contradizem em último gráu a razão humana." id ibd 379

"Nas coisas espirituais e divinas a razão é totalmente cega." in Erlangen XLV - 336

"Para a razão - escreve ele em seu Comm aos Gálatas - os mistérios divinos são RIDÍCULOS, IMPOSSIVEIS E ABSURDOS."

Após o que - retomando o pensamento Occamiano - traça o caminho que o protestantismo fiel e coerente deverá seguir até o fim: "Matai a razão. Sacrificai-a."

Senha terrivel que parte de seus filhos não cessa de atrevidamente de repetir: Sacrificai-a!

Para mergulhar de cabeça no abismo duma fé sem bases, garantias ou evidências que satisfaçam os apelos de nossa condição.

Para Lutero e seus sucessores a fé só será fé - e portanto capaz de agradar a Deus - se for tão cega quanto um morcego ou uma toupeira, assim já nos encontramos em pleno terreno do fideismo crasso que associado ao exame individual serve igualmente de veiculo ao relativismo/subjetivismo introduzindo-o na esfera da religião.

Deste caldo luterano sairão: o ateismo mais virulento, o materialismo crasso, o ceticismo absoluto, e tantas outras ideologias presentes em nossa época.

Também o relativismo naturalista saíra fortalecido após a reforma, ao menos por afinidade.

O padrão relativista é herdado juntamente com a religião e mais tarde aplicado as demais esferas da existência humana, mesmo quando o sujeito deixou de crer.

Talvez alguém chegasse a crer que rechaçando o escolasticismo - Lutero fez queimar a Summa Teologica de Tomas de Aquino, juntamente com a bula do Papa em 152o - e toda a herança do estagirita para sustentar um fideismo cujas sementes haviam sido plantadas por Agostinho e regadas por Ockam, o luteranismo não haveria de exercer qualquer tipo de influxo no campo da filosofia.

Nada mais falso, pois foi justamente a total carência dum lastro ou duma tradição clássica ou escolástica na Alemanha dos séculos XVI, XVII e boa parte do século XVIII que propiciou, em meados do século XIX, o ressurgimento de todos aqueles erros urdidos pelos antigos sofistas e mil vezes refutados por Platão e por Aristóteles... O fideismo luterano foi que abriu caminho as frioleiras contemporâneas na medida em que elimou até mesmo os resíduos da 'filosofia perene'...

E no entanto esta Alemanha, cujos líceus e acadêmias haviam sido destruidos pela fúria louca da reforma e cujos filhos haviam usado e abusado da Bíblia no século subsequente; assistiu no decorrer dos séculos XIX e XX a vitória do ceticismo, do ateismo e do materialismo sob as formas mais agressivas, sem falar-mos no agnosticismo, na metafisica cientificista e noutras tantas teorias disparatadas e confusas.

E a humanidade encantou-se com este grande circo e com seus bufões...

Foi como se o vazio ou abismo filosófico cavado por Lutero possibilitasse que as almas ou ao menos os pensamentos e teorias, dos Górgias, dos Protágoras, dos Aristipos, dos Pirros, dos Enesidemus, etc reencarnassem nos Kants, Fichtes, Nietzsches, Stirners, Heideggeres, etc

Já tivemos ocasião de observar que quando Lutero diz 'sacrificai a razão' esta já, a bem da verdade, condenando a teoria da verdade dupla e afirmando a verdade una e simples.

Acontece que para Lutero e seus sucessores esta verdade uma e simples não é a da percepção ou do raciocínio, mas a da fé ou o que é pior: A DO LIVRO.

Havendo contradição entre os dois veículos - ciência e religião - o que forçosamente se dá entre os protestantes devido a crença na inspiração plenária, o fiel já não dirá: verdadeiro para a religião e falso para a ciência ou verdadeiro para a ciência e falso para a religião, mas pura e simplismente: A RAZÃO ESTA EQUIVOCADA E A FÉ CORRETA, A PERCEPÇÃO ERRADA E A RELIGIÃO CERTA, A CIÊNCIA INCORRETA E O LIVRO CORRETO... O QUE NOS LEVA A CONCLUIR QUE O HOMEM NÃO É APTO PARA CONHECER QUALQUER COISA A RESPEITO DESTE MUNDO A MENOS QUE LHE SEJA COMUNICADA POR DEUS MESMO E SUA PALAVRA.

É O QUE SOMOS LEVADOS A CONCLUIR A PARTIR DAS SEGUINTES PALAVRAS ESCRITAS POR ERASMO:

"Lutherus scripsit OMNEM DISCIPLINAM TAMI PRACTICAM QUAM SPECULATIVAE ESSE DAMNATAM. OMNES SCIENTIAS SPECULATIVAS ESSE PECCATAS ET ERRORES. NONNE MELANCHTONIUS ALIQUANDO DAMNAVIT SCHOLAS PVBLICAS?" (Lutero escreveu que todas as disciplinas PRÁTICAS E ESPECULATIVAS SÃO CONDENÁVEIS. TODAS AS CIÊNCIAS ESPECULATIVAS SÃO ERROS E PECADOS. E MELANCHTON, ACASO NÃO CONDENOU ELE AS ESCOLAS PÚBLICAS? Ep 59 pp 31)

Destarte as universidades com que a Idade Média brindou as principais cidades da Europa, são ora apresentadas pelo Dr Lutero como "Antros do Diabo", "Templos de Moloch", "Espeluncas de assassinos", "Bastiões do inferno."...

Concluindo que: "...merecem ser destruidas até os alicerces. Desde que o mundo é mundo jamais houve instituição mais diabolica e infernal." cf "Lutero e a Igreja do Pecado" por Fernando Jorge 1992 pp 165

 ...............................

Assim chegamos a Kant.

Kant - como ele mesmo confesou e disse - plasmou uma filosofia tão luterana quanto a sí próprio, ampliando as téses de Occam e dando continuidade a crítica racional da razão.

Crítica ao cabo da qual a razão encontrava-se humilhada e prostrada diante daquela fé cega e irracional glorificada por Lutero.

Percebendo Kant no entanto, que aluindo os fundamentos racionais do teismo, aluia o fundamento mesmo da ética entre os não religiosos; optou por encetar uma ginástica mental - diante da qual seus atuais seguidores morrem de rir - cujo escopo era vindicar a validade absoluta dos juizos morais ou valorativos, com base na existência de Deus (!!!)

"O mais importante, dizia o bonitão, não é demonstrar a existência de Deus mas estar persuadido de que ele existe."

Sabia no entanto, mestre Kant, que enquanto a demonstração arrasta e constrange o intelecto após sí, o ato de fé pertence aquele gênero de bens que fazendo parte da esfera volitiva é por assim dizer livre.

Para Occam, Lutero e Kant conhecemos apenas o mundo inacessivel a percepção e a razão por via da fé, enquanto ignoramos justamente a natureza deste mundo em que vivemos, não porque a natureza e a verdade sejam duplas, MAS PORQUE NOSSO APARELHO COGNITIVO É INCAPAZ... COMO O PECADO ORIGINAL AFETOU NOSSA NATUREZA MESMA, NOSSOS SENTIDOS E NOSSO INTELECTO PASSARAM DE ALGUM MODO A DISTORCER TUDO QUANTO PERCEMOS OU CONSIDERAMOS... cumpre pois buscar refúgio numa religiosidade puramente subjetiva, incoerente e cega...

Inferimos pois que o falso dilema - sustentado pelos fanáticos religiosos, pelos cientificistas/positivistas - segundo o qual: fé, filosofia e ciência, são dois ou três tipos inconciliaveis e excludentes de saber, terá por fundamento ou o averroismo ou o nominalismo.

No fim das contas Kant - como Averrois e Sigerius - também estabelece a existência de dois mundos: o da coisa em si e o da coisa percebida, e no entanto não há dupla verdade em seu esquema, porque a coisa percebida não é verdadeira na medida em que não corresponde a coisa em sí; segundo Kant há apenas aparência ou verosimilhança e não verdade dupla.

Para ele sem fé não há verdade embora pretenda conferir certa validade aos juizos morais, segundo pareceu-lhe conveniente.

É verdade que Kant restringiu a validade da prece a dimensão da subjetividade humana... do contrário porém teriamos de admitir que a validade objetiva da prece seria informar Deus sobre qualquer coisa ou torna-lo mais feliz do que é em sua auto-contemplação, quem não percebe que ao menos neste ponto discordar de Kant equivale a blasfemar???

Aqui não há verdade mas apenas percepções, abstrações e opiniões distintas ou seja discursos e interpretações que cada qual entende a seu modo...

Aqueles que dentre os fanáticos que esposam esta teoria deveriam explicar, antes de tudo, porque Deus quiz dotar o homem com um aparelho cognitivo capaz de opor-se a realidade divina? E porque esse mesmo Deus fez da busca pela coerência uma das metas do entendimento humano? E porque incutiu no homem esse autêntico desconforto experimentado por ele ante a contradição?

Belo deus esse que obriga o homem a viver de aparências e ilusões e infunde-lhe concomitantemente o desejo de conhecer a verdade e atingir a realidade.

Temo que este deus capaz de infundir nos seres humanos uma tendência que jamais poderá ser satisfeita não seja o Deus enunciado por Jesus Cristo

Uma dupla criação???

Occam, Lutero e Kant quanto a fé estão plenamente convencidos e quanto a razão plenamente frustrados, donde sendo fideistas são apenas meio céticos ou agnósticos virados de ponta cabeça.

Para uns e outros o problema esta não esta no plano do conhecimento ou melhor se há problema no plano do conhecimento é manifestação de um problema bem mais grave que esta no próprio agente do conhecimento: o homem.

Vemos já que o problema epistemológico deita suas raizes no terreno da antropologia religiosa.... segundo os tributários de Agostinho acreditavam e acreditam que a natureza mesma do homem foi alterada pelo pecado ancestral. Kant não sai disto pois não pode explicar porque nossos sentidos deformam ao invés de informar, postulado este que se choca frontalmente com a idéia de um 'Deus bom' e que só pode ser compreendido a partir da fé no poder do pecado incutida pelo luteranismo. Não se pode compreender o pessimismo kantiano sem se recorrer a Lutero.

E podemos já insinuar que o pecado ancestral é uma espécie de ato criador do capeta, que faz destruir ou reverter a obra divina a ponto de torna-la irreconhecivel... Flácius dirá - em nome de Lutero - em alto e bom som que a natureza ou essência do homem após o pecado, é pecado; destarte chegamos as vias do maniqueismo e nem poderia ser de outro modo.

Eis porque criacionistas há que ousam atribuir todas as evidências favoráveis a evolução das espécies - fósseis, estrutura óssea, orgãos vestigiais, formas embrionarias, etc - a ação do Diabo, afirmando-o destarte como uma espécie de criador ou como senhor absoluto da natureza.

Resta-nos concluir que Occam foi o primeiro entre os Cristãos, que atreveu-se a condenar a razão e endeusar a fé, tornando-se pai daquele meio cetiscismo invertido cognominado fideismo...

Após ele veio LUTERO E ADOTANDO O MEIO CETICISMO INVERTIDO DE OCCAM FEZ DELE A BASE DE SEU SISTEMA RELIGIOSO: O PROTESTANTISMO. Foi devido a este vezo fideista face ao conhecimento natural - segundo Lutero completamente destruido pelo pecado original (nisto acompanha Agostinho) - que o protestantismo desde o princípio converteu-se num reduto de profetas e inspirados, a começar pelo próprio Lutero, que foi já um perfeito pentecostal.

Arremate-mos nossa exposição com Nietzsche:

"Entre os alemães, compreende-se imediatamente se digo que a Filosofia é corrompida pela teologia.

O pastor protestante é o avô desta filosofia alemã e o protestantismo seu peccatum originale.

Definição do protestantismo: hemiplegia do Cristianismo e da razão...

Basta pensarmos na escola de Tubingen para compreendermos que a filosofia alemã não passa duma teologia insidiosa.

Disto provem o estrondoso sucesso de Kant, num mundo de sábios compostos em três quartos por filhos de pastores e de professores. É daí que procede toda essa certeza sobre Kant ter inaugurado uma nova era?

O INSTINTO DO TEÓLOGO BEM PODIA ADIVINHAR O QUE ESTAVA OCULTO POR TRÁS DESSE NOVO...

... assim a idéia da moral enquanto essência do mundo pode renascer graças a essa dúvida sutil e maligna...

Haviam feito da realidade uma 'aparência' e assim transformado em falsidade o mundo do ser e da realidade.

O SUCESSO DE KANT FOI UM SUCESSO TEOLÓGICO: KANT FOI COMO LUTERO E LEIBNITZ UM ENTRAVE A MAIS PARA A PROBIDADE ALEMÃ, JÁ EM SI MESMA MUITO INCERTA." in Anticristo X

Obs.: O próprio Nietzsche era filho de Pastor luterano........."



De uma palestra.





"A opinião de alguns teologos protestantes, para os quais todas as seitas ou interpretações - que são milhares - possuem algo em comum, são verdadeiras, ou correspondem a vontade de Deus... encaminha aqueles que levam-na a sério as fronteiras do solipsismo e da loucura.

O protestante não teme a fragmentação do universo material e sua decomposição em infinitas particulas que conflitam e que se chocam umas contra as outras num turbilhão de caos e ignorância, porque o universo espiritual em que vive já se encontra assim: infinitamente decomposto em unidades proféticas e inspiradas que se excluem e atacam umas as outras.

Após o surgimento das liberdades modernas, a teoria da dupla verdade foi praticamente abandonada por toda casta de pensadores de cárater naturalista ou secular, cujo materialismo ou ateismo, pode ser livremente expresso sem qualquer tipo de risco.

Não poucas vezes nós mesmos temos testemunhado certos individuos passarem dum extremo a outro, as vezes do ateismo ou do materialismo ao fundamentalismo religioso (o que no entanto é raro) e outras (bem mais comuns) DO FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO AO ATEISMO OU AO MATERIALISMO SOB AS FORMAS MAIS VIRULENTAS E FANÁTICAS.

Recordo ter ouvido de um fanático que o romanismo, o espiritismo e até mesmo a ortodoxia, amancenando-se com a razão e com o mundo da ciência, conduzem sutilmente seus adeptos a incredulidade (ou como diriamos ao agnosticismo)...

Não negarei que uma tal passagem seja possivel, a cabo duma longa vida devotada aos estudos sagrados e profanos; especialmente quando a mente se mantem aberta...

Por outro lado que dizer da tacanhice fundamentalista?

Que o círculo de ferro com que se propõe a encerrar a mente humana, uma vez quebrado, conduz quase sempre ao materialismo crasso e ao ateismo militante.

Direi que este sistema converte-se numa verdadeira fábica de materialistas e ateus no momento mesmo em que suas vítimas, desafiando os anatemas e ameaças, resolvem-se a estudar e a refletir. E assim saem da caverna da caverna de Lutero, mas saem definitivamente cegas, pois a revolta, a dor e a indignação impedem-nas de pensar com sobriedade e equilíbrio...

É a indigestão da fé que leva-as a vomitar e a depositar na latrina tudo quanto seja sagrado.

Eu, que nasci protestante e que oprimido fui pela tirânia da irracionalidade fraternizo-me com tais pessoas e compreendo-as, afinal sei por experiência o quanto é doloroso ter sido enganado e ludibriado em nome de Cristo servindo de pasto a credulidade e a superstição mais aviltante.

Já os adpetos da teoria da dupla verdade acabam em parte aderindo ao relativismo crasso mesmo sem romper com o môdelo protestante, se bem que alguns se tornem cada vez mais céticos até chegarem a plenitude do ceticismo e duvidar de tudo, engrossando as fileiras do protestantismo liberal ou lançando corajosamente a crença as urtigas...

Kant, que é o Lutero da Filosofia, exemplifica bem essa 'evolução' epistemologica.

Criado no pietismo sob o influxo direto do 'reformador' alemão, o professor de Konisberg foi nutrido já no seio materno com a seiva do fideismo aprendendo a desconfiar dos sentidos e da razão.

Posteriormente suas leituras tornaram-no, como ele mesmo diz dogmático, sem embargo, elas não haviam sido capazes de eliminar suas dúvidas e de faze-lo confiar na razão.

Inconscientemente Kant permaneceu o mesmo fideísta de sempre, o mesmo púpilo de Lutero e desgraçadamente, por puro preconceito, recusou-se a ler Tomás de Aquino e seus pares (de matiz aristotélico) tantas e tantas vezes insultados por seu mestre, que seduzido pela fama de Occam, D Ailly e Biel, tampouco se derá ao trabalho de examina-los.

Posteriormente outros tantos 'filosofos' repetirão a mesma senha: nunca cogitei em folhear os escolásticos porque há muito foram refutados por Hume... não leio obras sobre 'metafisica' porque heiddeger descartou-as... não me ocupo do 'problema de Deus' porque Kant o descartou... Assim vão repetindo os Sartre e os Nietezsche da vida, dando por certo o que é absolutamente falso: Que kant ou Hume tenham examinado detidamente um único compêndio de escolástica.

Não, não leu e não quiz ler, tal e qual Lutero não leu e não quiz ler declarando pura e simplesmente que tudo aquilo era falso e indigno de ser lido.

Não refutaram absolutamente nada e sequer podiam ter refutado porquanto seus môdelos e formas de pensamento já haviam sido estudados e vitoriosamente rebatidos por Aristóteles ou pelo Aquino.

Kant não partiu da analise a teoria, mas da teoria preconcebida para a adequação dos fatos.

Tomou o fideismo ou o irracionalismo de empréstimo a Lutero, e dispoz-se a seculariza-lo provendo-o duma terminologia assaz complexa, estribada ao menos em parte em Aristóteles (e destinada a aniquilar parte do pensamento de Aristoteles).

Eis porque o Kantismo não passa dum Luteranismo naturalizado e disfarçado.

A racionalização do irracionalismo ou melhor do fideismo, isto é o kantismo.

Assim Lutero após ter adentrado a Basílica e calcado aos pés os padres e doutores ora penetra a acadêmia e o Liceu para arrostar a Sócrates, Platão e Aristoteles lançando lama sobre suas venerandas faces! E tendo já insultado Crisóstomo, Ambrósio, Jerônimo e mesmo seu amado Agostinho (nas Conversações a mesa 525 sgs) dirige sua baba asquerosa ao 'Mestre de todos os que sabem' acoimando-o de palhaço e asseverando que sua 'Ética' é opõem-se ao Reino de Jesus Cristo (!!!)

É Lutero com sua hoste de trogloditas, procedente da 'floresta herciniana' pondo cerco a Atenas e querendo toma-la de assalto!

É Lutero que após ferir o Cristianismo em seu coração - que é a tradição apostólica - lança seus dardos inflamados contra a razão que é a alma da Filosofia.

Destruida a teologia - substituida por uma crença subjetiva na remissão incondicional - Lutero assesta suas baterias contra a metafísica, com o intuito de lança-la por terra e firmar o dilema: Fideismo de um lado e ciência do outro...

Religião de um lado e civilização moderna do outro...

Kant engendrou toda uma metafisica epistemologica mais complexa que a escolástica com o objetivo de aniquilar a metafisica... Seria trágico, se não fosse cômico...

Para concretizar sua façanha o 'alter' Lutero postulou que a mente humana é incapaz de apreender os objetos como eles são na realidade, distorcendo-os ou modificando-os tal e qual nosso aparelho digestivo digere os alimentos que consumimos fazendo com que mudem de forma.

Se Aristóteles ousou dizer que os sentidos correspondem ao fim para que foram dispostos: informar, segundo Kant eles só fazem deformar...

E assim Já não podemos conhecer as formas originais dos seres e objetos... conhecemos apenas as aparências e nosso conhecimento é apenas aparente embora válido para este mundo no qual todos sofremos da mesma incapacidade concordando a respeito das aparências...

Por isso a ciência é possivel, porque a maioria de nós pode chegar a um conhecimento similar e genérico sobre aquilo que parece ser...

Para explicar tal concordância Kant ventilou a existência de um 'Eu transcendental'... pois do contrário, como insinuava Hume não chegariamos a acordo sobre coisa alguma, vindo a cair no abismo do solipsismo e mantendo apenas a possibilidade de DUVIDAR DE TUDO...

Mesmo assim a ciência para Kant jamais passará de verossimilhança, porquanto jamais atingirá a totalidade ou a essência dos objetos e seres, ficando sempre algo a se conhecer ou melhor a se ignorar...

Só nos resta mergulhar de cabeça no abismo a fé... Pois neste caso a fé - nas fábulas do genesis inclusive - é tão respeitável quanto a ciência...

E todas as fés igualmente incertas (logo igualmente certas)... eis o relativismo crasso e o solipsismo religioso. 

O cipoal da religião... o pântano de Occam, o charco de Lutero, o lamaçal de Kant.

sábado, 31 de março de 2012

Cólofon







Eis-nos chegados ao fim do primeiro Tomo de nossa obra sobre "Confrontação dos princípios divinos e humanos." ou "Livro contra as heresias ocidentais."

Ele é teu e a ti pertence divino Jesus, Mestre amado e querido.

Recebe-o pelas intercessões daquela Virgem por meio da qual viestes a este nosso mundo.

Recebe-o para o louvor da glória do teu nome.

Nós cremos em tí e esperamos na misericórdia do teu amor que é infinito.

E nós não cremos nem na existência nem na subsistência do mal.

Abençoado seja o teu santo e precioso nome pelos séculos dos séculos.

Que por meio da tua Cruz vivificante obtenhamos a vitória.




sábado, 24 de março de 2012

Porque a imagem vale mais do que mil palavras







"Eis que estou a porta e bato, se ouvires minha vós e abrires entrarei em tua residência; assim cearemos, eu contigo e tu comigo." Jesus

sábado, 17 de março de 2012

Aviso aos leitores deste Blog







Notificamos ao leitor amável e benevolente que estamos em fase de pesquisa e reflexão; selecionando, adquirindo, estudando, traduzindo e compendiando inúmeros títulos referentes aos pseudo- reformadores e a pseudo reforma protestante.

Nosso acervo consta de obras raríssimas em editadas Inglês, Latim, Frances, Espanhol, Italiano, além, é claro das obras acessíveis aos leitores de lingua portuguesa.

Todas estão sendo metódica e pacientemente traduzidas e resenhadas para posterior publicação nas páginas deste Blog, que é vosso em Cristo Jesus nosso Único e Verdadeiro Deus e Mestre.

Ou escrevemos com fundamento ou não escrevemos. Eis porque, como penhor sagrado de amizade contamos com vossa paciência, virtude com a qual e pela qual nossas almas serão acrisoladas.

Durante a temporada de 2012/2013 brindaremos o público com nova série de artigos e revelações surpreendentes; o que redundará para a maior glória de Cristo nosso Deus, para o benefício da única congregação visível por ele fundada e para a suprema vergonha dos blasfemadores ocidentais.

Tal nosso compromisso com o Sagrado, com a Verdade, com a Piedade e com a Fraternidade.

"O Protesto" um Blog que protesta contra o falso protesto.

Um Blog consciente que pugna por um Cristianismo Histórico, Objetivo, logo Oriental.

Um Blog a serviço do Evangelho, da Tradição e da Sucessão apostólica (Episcopado).

Paz e bem.